Pauta sobre lideranças de RH que se destacam em ações relacionadas à saúde dos colaboradores – Melhor RH

Por:
Unico
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Introdução
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1. Como a saúde e o bem-estar entraram, na prática, na agenda estratégica de RH da empresa nos últimos 2–3 anos?

A empresa é, essencialmente, feita de pessoas. Na Unico, temos ciência dessa premissa e, a partir dela, a saúde e o bem estar sempre estiveram em foco.

Entretanto, nos últimos anos, ambos os elementos ganharam foco estratégico, uma vez que, junto à implementação do modelo híbrido, nos preocupamos, de forma genuína, em como cuidar dos Seres nos novos desafios provenientes do ajuste de rotina. Não queríamos melhorar produtividade, mas essencialmente a conexão entre as pessoas, e desdobrar isso sem desestabilizar as rotinas e o cuidado com a saúde.

Por isso, trouxemos o bem-estar para o centro da mesa não como uma tática de produtividade, mas como um compromisso ético da nossa liderança. O programa CareU nasceu dessa vontade genuína de criar um espaço no qual as pessoas se sintam seguras e acolhidas em sua integralidade. O nosso crescimento organizacional só faz sentido se for sustentável para quem constrói essa jornada conosco todos os dias.

2. Que mudanças concretas a empresa precisou fazer em prioridades, time ou orçamento para isso acontecer?

A mudança mais concreta foi redirecionar o orçamento de ações pontuais para a construção de um ecossistema de cuidado robusto e de longo prazo: o CareU. A prioridade deixou de ser apenas oferecer benefícios e passou a ser garantir a autonomia e o tempo de qualidade dos Seres.

Financeiramente, essa mudança se materializou no Benflex, onde alteramos a lógica tradicional para um modelo flexível que permite ao colaborador distribuir o valor do benefício entre cultura, mobilidade, educação ou saúde, conforme seu momento de vida.

Também alocamos recursos significativos para a saúde integral, investindo em parcerias com Wellhub e TotalPass. Estabelecemos também o Conecta Sports, iniciativa de incentivo ao movimento e à conexão presencial. Ele oferece uma grade de atividades focadas em saúde — como aulas de yoga e funcional no escritório ou em parques, além de experiências em parceiros como a Velocity. Mais do que exercício, é um momento de descompressão e vínculo tão valorizado pelos Seres. O programa deu tão certo que as ações têm adesão massiva, sempre com vagas esgotadas e lista de espera.

Por fim, fizemos um investimento direto no tempo pessoal ao instituir o Day-off de aniversário, que contempla não apenas o dia do colaborador, mas também o aniversário de filhos de até 12 anos. É uma decisão que tem custo operacional, mas gera um retorno imensurável em respeito à família e engajamento.

3. Quando você pensa em "saúde integral" hoje (física, mental, social, financeira), quais dimensões são mais críticas na sua população e como isso varia entre plantas, escritórios, times de tecnologia ou unidades acadêmicas?

Cada dimensão tem um peso diferente dependendo do perfil e contexto dos nossos Seres. Na tecnologia, o fator emocional e a fadiga cognitiva exigem mais atenção. Em operações, o bem-estar físico e o apoio financeiro são mais sensíveis. Por isso, criamos ações multicanais, como o Desafio Gym Rats e o Conecta Esportes, que geram vínculo e saúde física, mas também atuamos em frentes silenciosas, como o apoio psicológico via apps e o auxílio home office, que tem impacto real no cotidiano. A chave é personalizar a jornada de cuidado.

4. Quais são hoje os principais indicadores que você acompanha para tomar decisão em saúde (absenteísmo, afastamentos, uso de benefícios, dados de EHS, pesquisas de clima, NPS de bem-estar etc.) e o que esses dados já fizeram você mudar de rota em algum programa?

Não olhamos para o dado isolado, mas para a história que ele conta. Acompanhamos um ecossistema que cruza indicadores duros, como absenteísmo e sinistralidade médica, com termômetros culturais, como nosso Índice de Engajamento (hoje consolidado em 85%) e a Favorabilidade Cultural (95%).

O grande diferencial, porém, é a velocidade de reação a esses números. Um exemplo claro de 'mudança de rota' veio do cruzamento entre pesquisas de clima e nossa escuta ativa: os dados nos mostraram que a flexibilidade do modelo híbrido era valorizada, mas que as famílias precisavam de mais apoio presencial.

Foi esse insight analítico que nos fez ajustar a rota para implementar a licença parental estendida e o Day-off para filhos. O dado nos mostrou a necessidade latente, e nós agimos para transformar o benefício em acolhimento real.

5. Como vocês fazem "escuta ativa" sobre saúde mental e bem-estar, por exemplo, pulse surveys, grupos focais, canais de apoio, e o que apareceu de mais inesperado nessa escuta nos últimos ciclos?

Nossa estratégia de escuta combina dados e diálogo. Utilizamos pulse surveys regulares para ter o termômetro quantitativo, mas cruzamos esses números com fóruns abertos e grupos focais para entender a história real por trás dos dados.

O achado mais inesperado dos últimos ciclos foi redescobrir a potência do contato presencial. Em uma empresa nativa digital e focada em alta performance, surpreendeu-nos ver que o maior pedido não era por novas ferramentas, mas por olho no olho.

Percebemos que ações simbólicas, como uma aula de yoga coletiva ou uma quick massage no escritório, tinham um impacto desproporcional no bem-estar emocional.

A escuta revelou que, para os nossos Seres, a conexão humana é o principal antídoto contra a pressão do dia a dia. Foi esse insight que transformou o Conecta Unico em algo muito maior que um modelo híbrido: ele se tornou nossa principal iniciativa de saúde mental através do vínculo.

6. Se você tivesse que descrever resumidamente a "jornada de cuidado" que a empresa oferece hoje (da prevenção ao retorno ao trabalho), como essa jornada se organiza? Onde você sente que está mais maduro e onde ainda há lacunas?

Organizamos toda a jornada sob o guarda-chuva do programa Cuide-Ser, que estrutura o cuidado em três etapas claras: Prevenção, Apoio e Reintegração.

A jornada começa na Prevenção, fomentando hábitos saudáveis com informações e acesso ao esporte; passa pelo Apoio Contínuo, sustentado pela autonomia do Benflex e pelo acesso facilitado à saúde mental; e segue até o Retorno ao Trabalho, com acolhimento e planos individualizados.

Sinto que atingimos uma maturidade muito alta na oferta de ferramentas e na cultura de prevenção. A nossa próxima fronteira — e onde estamos colocando energia agora — é na integração total dessa experiência. O desafio é garantir que a transição entre essas etapas seja fluida, refinando nossos protocolos para que o colaborador se sinta acolhido com a mesma agilidade e eficiência em qualquer ponto da sua jornada de vida na Unico.

7. Que combinação de iniciativas você viu gerar mais resultado concreto (por exemplo, redução de afastamentos, melhora de engajamento ou retenção): benefícios de saúde e bem-estar, redesign de trabalho e jornada, ações de cultura, ou outra alavanca? Pode dar um exemplo específico.

A combinação que mais gerou impacto foram os benefícios personalizados + modelo de trabalho flexível + cultura ativa. O Desafio Gym Rats, por exemplo, que aconteceu em 2025, mobilizou mais de 20% dos colaboradores em 90 dias, criou vínculos reais, promoveu saúde física e melhorou o desempenho da organização.

8. Que tipo de preparo e suporte vocês dão hoje para líderes de pessoas lidarem com temas de saúde mental, sobrecarga e segurança psicológica no time? O que ainda é difícil para esses líderes colocarem em prática no dia a dia?

O time de People, por meio das HRBPs, atua de forma bem próxima as lideranças para fornecer apoio e orientações com as equipes. Realizamos uma pesquisa de engajamento trimestral em que os temas saúde mental e segurança psicológica tem sua percepção avaliada pelos nossos colaboradores e, com isso, conseguimos mapear de forma proativa áreas com pontos de atenção e direcionar os esforços para as tratativas com cada liderança de forma mais personalizada.

No dia a dia, o principal desafio está em transformar essas reflexões em hábitos consistentes, especialmente em contextos de crescimento acelerado. Desenvolver a escuta ativa, conduzir conversas sensíveis com mais naturalidade e equilibrar resultados com cuidado contínuo com as pessoas são competências que exigem prática e amadurecimento. Por isso, tratamos o tema como uma jornada contínua de desenvolvimento das lideranças, com apoio, troca e aprendizado constantes.

9. Em que momentos a cultura da empresa puxa a agenda de saúde para frente (exemplos de comportamentos, rituais, símbolos) e em que momentos você sente que a cultura ainda "puxa para trás", reforçando excesso de carga, presenteísmo ou tabus sobre sofrimento emocional?

A cultura puxa a agenda para frente porque enxerga o colaborador de forma integral: não à toa, nos chamamos de Seres. Esse não é apenas um termo, é um símbolo diário de que respeitamos a individualidade. Rituais como o Day-off no aniversário (do Ser e dos filhos) são a prova concreta de que valorizamos o tempo de vida fora do trabalho.

  • momento em que a cultura pode 'puxar para trás' é justamente o reflexo da nossa intensidade. Temos um valor forte de 'Impactar sem rodeios' e muito aguçado. Às vezes, essa paixão pelo resultado gera uma autocobrança no time, dificultando a desconexão.
  • O nosso desafio, portanto, não é combater tabus, mas educar para a longevidade: nossa liderança atua ativamente para mostrar que o descanso não é o oposto de performance, mas sim parte essencial dela.

10. Que tipo de parcerias externas (operadora, empresas de bem-estar, consultorias, plataformas digitais, universidades) fez mais diferença para a Unico, e como vocês medem o retorno dessas parcerias para justificar continuidade ou expansão?

As parcerias que mais fizeram diferença foram aquelas que nos permitiram escalar a personalização do cuidado. Destaco a conexão com plataformas como Wellhub e TotalPass, que democratizaram o acesso à saúde física, e apps de suporte psicológico que desestigmatizaram a terapia. No pilar de educação, parceiros que integram nosso reembolso educacional também são vitais, como a UnicoSkill.

Para justificar a continuidade, fugimos das métricas de vaidade. Cruzamos dados de uso (adesão) com indicadores de negócio: nosso Índice de Engajamento consolidado em 85% e a Favorabilidade Cultural de 95% são as provas reais do retorno.

Se a adesão está alta e o engajamento também, sabemos que o investimento está protegendo nossa retenção e fortalecendo a marca empregadora. O retorno final é medido pela fila de talentos alinhados à cultura querendo entrar na Unico.

11. Olhando especificamente para o seu setor, que aprendizado sobre saúde corporativa você acha que pode inspirar outros segmentos, e quais alertas você deixaria para quem está começando agora a estruturar essa agenda?

O principal aprendizado é que cuidar dá trabalho, mas não cuidar custa muito mais. Nossa cultura é orientada à inovação e segurança, e entendemos que isso começa dentro de casa. Cuidar é uma alavanca de negócio. O alerta que deixo é não cair na tentação de empacotar cuidado como benefício isolado. É preciso coerência entre discurso, prática e liderança. Só assim o bem-estar deixa de ser uma promessa e vira uma vantagem competitiva real no mercado.

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